PAT 2019 - Circular Técnica
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Plano de Ação: 12.14.14.001.00.03  
Descrição: MAY, A.;  RAMOS, N. P.   Uso de gemas individualizadas de cana-de-açúcar para a produção de mudas.   Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2019. 18 p. (Embrapa Meio Ambiente. Circular Técnica, 29).     
Parceria/partes:  
Conteúdo: A cana-de-açúcar (Saccharum spp.), segundo James (2004), é uma planta originária do sudoeste asiático, especificamente da região entre Nova Guiné e Indonésia. No Brasil, a cana-de-açúcar se destaca por ser a principal cultura da cadeia produtiva de biocombustíveis que, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab, 2016), a área desta cultura foi de aproximadamente 9 milhões de hectares, que produziram 34,6 milhões de toneladas de sacarose, 11 bilhões de litros de etanol anidro e 18 bilhões de litros de etanol hidratado. O etanol é mundialmente conhecido como uma opção estratégica na geração de energia renovável. O setor sucroalcooleiro apresenta grande potencial produtivo desse bicombustível, sendo capaz de atrair investimentos internos e externos para o país (Goldemberg, 2007). Segundo Goldemberg (2007) e Naylor et al. (2007), o interesse pelos combustíveis renováveis como o etanol, faz parte do conjunto de estratégias internacionais para a mitigação de gases do efeito estufa, tendo, portanto, uma tendência de crescimento na produção para os próximos anos. Esta ampla exploração se deve à extensa pesquisa no desenvolvimento e aproveitamento de produtos na área industrial, além das inovações agrícolas, como melhoramento de variedades, mecanização da colheita e plantio, e uso de corretivos e fertilizantes. Entretanto, algumas práticas não acompanharam este cenário evolutivo, incluindo o uso de colmos (toletes) como unidade propagativa para instalação do canavial, cujo método remonta a introdução da cultura no Brasil. Atualmente, a forma preferencial e majoritária de multiplicação de cana-de-açúcar é através de toletes (colmos inteiros ou colmos fracionados a cada 3 ou 4 gemas) distribuídos sobre sulcos profundos de plantio. Esta técnica de plantio de cana é utilizada há centenas de anos. O diferencial atual é a intensa utilização de maquinários pesados para ajudar na distribuição desses toletes nas linhas de plantio. No entanto, muitas usinas estão voltando a distribuir os toletes manualmente sobre os sulcos, devido ao gasto excessivo de colmos para se plantar um novo canavial (acima de 20 t de colmos por hectare plantado), onerando sobremaneira o custo agrícola da lavoura. Assim, o uso de colmos para plantio em áreas de reforma de canaviais deriva, em pequena proporção, de viveiros secundários, onde a qualidade da cana-de-açúcar é controlada quanto aos aspectos sanitários e genéticos, e majoritariamente, de talhões comerciais, sem rigoroso controle de qualidade (Landell et al., 2012), que aumenta o potencial de falhas e misturas de varietais. Outro fator que implica na qualidade do colmo é o grau de mecanização para corte e plantio dos toletes, que melhora o rendimento do trabalho, mas altera a qualidade e o consumo de colmos-semente. Isto porque, a mecanização, ao mesmo tempo em que aumenta a eficiência de corte e plantio, proporciona maiores danos às gemas, reduzindo a qualidade e aumentando o consumo de colmos (Robothan; Chapell, 2002). Num primeiro momento, o consumo de colmos pode não parecer relevante frente aos 9 milhões de hectares de área plantada de cana-de-açúcar no Brasil (Conab, 2016); porém, 10% desta área se destina à reforma do canavial e 2,5% para a produção de colmos para o replantio das áreas de produção, o que leva a proporção de 4:1 entre essas duas últimas áreas, ou seja, para cada 4 áreas reformadas é necessária uma área do mesmo tamanho para a produção de colmos para o replantio dessas áreas. Assumindo-se uma produtividade de 80 t ha-1 nessas áreas de colmos, que são colhidas precocemente para melhor qualidade de gemas, e a proporção entre áreas citadas, é possível calcular um consumo de cerca de 20 t de colmos para cada 1 ha reformado para o plantio mecanizado. Assim, a dimensão deste consumo só é visualizada quando se resgata os valores usados no passado para a operação semimecanizada de corte e plantio, que não ultrapassavam 8-12 t de mudas para cada 1 ha reformado (Landell et al., 2012), indicando aumentos entre 40-60% de consumo do sistema mecanizado em relação ao semimecanizado. O aumento de colmos não se reverte, obrigatoriamente, em estabelecimento em campo, uma vez que os danos nas gemas ainda são significativos e causam falhas entre 27- 38%, comprometendo o desenvolvimento da cana-de- açúcar (Janini, 2007; Garcia, 2008). Assim, o custo com o uso de colmos é significativamente maior no sistema mecanizado e só se viabiliza frente ao semimecanizado pela redução no custo de mão-de-obra, considerando uma eficiência de campo de 75% (Janini, 2007). Dessa forma, o objetivo deste trabalho é reportar a possibilidade de uso de gemas individualizadas para a formação de mudas pré-brotadas de cana-de- açúcar, visando a redução do tempo de formação e a redução de custos potenciais.  
Observaçao: ISSN 1516-4683. Acessível em http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1108923 (ID_PAT: 23320)
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